Não tem flagrante

Segurança
Boi é apresentado em delegacia de Alvorada
PMs precisaram conduzir animal para garantir que praticantes de abigeato seriam autuados em flagrante
No começo da manhã de ontem, o sol despontava e trabalhadores esperavam o ônibus nas proximidades da Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento (DPPA), em Alvorada, quando uma cena insólita rompeu a monotonia. Policiais militares tocavam um boi rua acima cutucando o bicho, que teimava em resistir ao comando da BM.
Quatro viaturas iam fechando o trânsito para o lento avanço de dois policiais a pé e do animal insubordinado. Para completar o quadro, alguns cachorros desafiavam a paciência dos militares e do boi seguindo o cortejo e latindo. A missão dos policiais, porém, não permitia distrações: entregar o bicho na DPPA, onde seria apresentado como prova para o registro de um flagrante de abigeato ocorrido poucas horas antes.
Por meio de uma denúncia, a BM de Alvorada soube que uma cabeça de gado havia sido furtada de uma pequena chácara de Alvorada por volta das 3h. Depois de uma busca pelas redondezas, uma viatura encontrou Marcos Aurélio dos Santos Bruzian, Valdir Machado Santos e Fernando Antunes de Abnom levando o animal pela rua.
Depois de confirmar a origem do boi, os policiais o devolveram ao dono e conduziram os três presos até a DP. Lá, porém, os militares souberam que teriam de apresentar também o bovino como prova.
- Como não temos caminhão, tivemos de percorrer quatro quilômetros e meio a pé tocando o boi. O pessoal ria da gente nas paradas de ônibus e os cachorros latiam - conta o PM João Carlos de Souza.
Delegado disse que presença do boi era imprescindível
O curioso desfile pelas ruas da cidade levou cerca de uma hora e meia. Os carros da BM precisaram controlar o tráfego para evitar acidentes porque o boi estava pouco amistoso e se debatia algumas vezes.
- A gente empurrava, cutucava com uma vara e ele ia dando uns pinotaços - diz Souza, mais conhecido na corporação como Lilica.
Lilica virou notícia por defender o fim da discriminação contra os gays e dirigir uma ONG pela livre orientação sexual mesmo quando trabalhava como cozinheiro do então governador Olívio Dutra no Piratini. Acostumado a transformar carne bovina em bifes, pela primeira vez em duas décadas de carreira teve de lidar com o boi inteiro.
Depois de encerrada a jornada, às 6h30min, o animal - apelidado de “boi bandido” pelos policiais em referência à novela América- se acalmou e até recebeu o boné da BM sobre a cabeça como prova de carinho antes de voltar para casa.
O delegado Jorge Carvalho, da DPPA, alega que a presença do bicho na delegacia, neste caso, era necessária como prova material do crime e condição para ser lavrada a prisão em flagrante dos ladrões.
- Quando se tira a liberdade de alguém, é preciso ter certeza da ocorrência do crime. Uma das certezas é a materialidade do crime - explica, referindo-se ao “bandido”.
Os três detidos foram encaminhados ao Presídio Central. Em outra ocorrência curiosa envolvendo animais e a polícia gaúcha, uma cadela havia sido detida apenas um dia antes em uma cela em Tramandaí, no Litoral Norte, por ter sido utilizada em assaltos.
Fonte: Zero Hora.
