um cappuccino para viagem
Cafezinho fez falta no espaço, diz astronauta brasileiro
Foram anos de estudo e preparação, no Brasil e exterior, até que o tenente-coronel aviador Marcos César Pontes se tornasse o primeiro astronauta brasileiro a participar de uma missão espacial. Em 30 de março, a nave Soyuz TMA-8 entrou em órbita terrestre tendo, como tripulantes, o brasileiro Pontes, o comandante russo Pavel Vinogradov e o engenheiro de vôo americano Jeffrey Williams.
Horas antes do lançamento, Pontes, na expectativa de participar de uma missão que terminaria vitoriosa com seu retorno à Terra, em 8 de abril, disse ter sentido vontade de tomar um café! Ele declarou que sentiu falta do cafezinho em entrevista concedida à imprensa na Academia da Força Aérea (AFA), em Pirassununga (SP), em 24 de abril. Desta coletiva participou o fotógrafo João Batista Marques Neto, da “Folha Rural”, jornal veiculado mensalmente pela Cooxupé: “Se eu senti falta do café brasileiro? Sim, sem dúvida”, afirmou sorrindo o astronauta. As informações partem da assessoria de comunicação da Cooxupé.
A trajetória profissional de Pontes teve início na Academia da Força Aérea, em Pirassununga (SP), onde estudou na década de 80. Ele se lembrou do dia em que pisou na AFA pela primeira vez. “Quando coloquei minha mala no chão, percebi que o futuro estava à minha frente”, comentou. Estava decidido a traçar e realizar seus sonhos a partir daquele momento . Ele se lembrou, ainda, do dia em que aguardava a resposta se teria sido ou não aprovado em seu primeiro vôo: “enquanto esperava, fui tomar um café!”. João Batista perguntou se “um cafezinho fez falta naquela ansiedade”. “Um café sempre faz falta”, respondeu Marcos Pontes.
Em cada passagem contada pelo primeiro astronauta brasileiro à imprensa, aos cadetes e demais militares na AFA, havia uma mensagem de otimismo e incentivo aos futuros pilotos da Força Aérea Brasileira. Pontes fez questão de ressaltar, que quando se dirigia à plataforma de lançamento que o levaria ao espaço sideral, veio à sua mente a frase do emblema da AFA: “Macte Animo! Generose Puer, Sic Itur Ad Astra”, ou seja, “Ânimo, jovem! Por este caminho chegarás aos céus!”.
Durante sua palestra na AFA, o astronauta Marcos César Pontes disse que em Baikonur (cidade do Cazaquistão, onde ocorreu o lançamento da nave Soyuz TMA-8) costuma-se plantar árvores com o nome de cada cosmonauta. Ele gostaria de aproveitar uma semente no Brasil, esperar crescer uma arvorezinha, para então levá-la e plantá-la lá, ao invés de ter uma árvore de Baikonur com o seu nome. “No entanto, não sei se uma árvore brasileira resistiria ao clima do Cazaquistão…”, disse Pontes.
O repórter João Batista perguntou se “não daria certo plantar um pé de café em Baikonur, já que o Brasil é o maior exportador de café do mundo?”. “Acho que não daria”, respondeu ele, “ficaria complicado por causa do clima. Mas uma coisa importante, quando a gente planta coisas no espaço ou planta em qualquer lugar, é ver os resultados, as flores, os frutos, tudo isso. Ao visitar hoje a Academia, tenho essa noção exata dos frutos. Eu sou um fruto da AFA, que os professores aqui plantaram”, finalizou Pontes.
Colaboração de Lessandro Carvalho
Fonte: Agência SAFRAS
